Caras e Caros Cabeceirenses,
É, para mim, uma grande honra poder, aqui, na Casa da Democracia de Cabeceiras de Basto, fazer uma intervenção num dia tão simbólico para Portugal.
Nasci em 1986, portanto, obviamente, não vivi este acontecimento tão importante, histórica e culturalmente, do nosso país!
No entanto, vivo, ou melhor, vivemos nos conceitos de liberdade e democracia dados pelo 25 de Abril que foi, para todos nós, o fim da ditadura.
Os heróicos militares que prepararam e executaram a revolta realizaram um acto de libertação de si mesmos, mas consigo quiseram libertar Portugal inteiro.
Todos nós devemos estar gratos por isso! Todos nós devemos reconhecer e saudar o facto de hoje termos a possibilidade de exprimir o que sentimos e o que pensamos em voz alta. De vivermos numa democracia plena! Portugal e os Portugueses mereceram o que conquistaram e não devemos abdicar disso!
No entanto, Discursos e Cravos na lapela não chegam para comemorar Abril! Passados 42 anos, a desconfiança dos cidadãos na classe política aumenta e a abstenção também a cada eleição.
Se foi pelo direito ao voto que muitos deram a sua vida ao longo da história, não estamos, nem a honrar quem fez Abril, nem a contribuir positivamente para a democracia plena em que vivemos. Infelizmente, por parte de muitos dos agentes políticos, apenas damos conta da sua indignação com o “fenómeno da abstenção” aquando dos atos eleitorais.
Devemos estar conscientes de que somos todos fiéis depositários da herança conquistada em 1974, e cabe-nos o papel de defender essa liberdade até às últimas consequências e de contribuir, todos os dias, para o seu aperfeiçoamento.
Como referi anteriormente, considero, e é notório, a desconfiança dos cidadãos na classe política. Isto porque alguns dos nossos governantes ao longo destes 42 anos não estiveram à altura do desejado…
A falta de competência;
A falta de princípios;
Os abusos de poder;
A irresponsabilidade;
As faltas de transparência em muitas matérias;
Somadas às decisões menos boas para o país, levaram a que as pessoas se afastassem das questões políticas, que abdicassem de ir votar, a perder a esperança ou a fé naqueles que nos governam!
Os intervenientes políticos, sejam eles locais ou nacionais, devem ser exemplos, pois o fim principal do poder político é a pessoa. A política deve ser utilizada para servir e não para se servirem dela!
Não considero que falte Cumprir Abril, mas penso que existe, hoje, entre os cidadãos e a atividade política uma grande distância.
Considero que o que deva unir os governantes e as suas políticas seja mais forte daquilo que os separa!
Precisamos de fazer política de forma diferente!
Com maior abertura à sociedade civil;
Com menor burocracia;
Onde ter um cargo político não seja um título, mas sim uma possibilidade de servir a comunidade;
Com mais rigor e transparência;
Com mais objetividade;
Com mais igualdade entre todos!
Onde hajam compromissos, nacionais e locais, entre todos os intervenientes, para planos de desenvolvimentos a longo prazo sustentados pela lógica e pela razão, suprindo as necessidades das populações!
Para que não nos preocupemos apenas em vencer eleições, mas em sermos úteis à sociedade também nas derrotas…
Abril surgiu para sermos livres de ser melhores…
A juventude portuguesa, e, em especial, a juventude cabeceirense, terá também este desafio.
Assim, nesta cerimónia, aproveito para solicitar aos nossos jovens empenho na vida politica ativa, nas associações, na sociedade, e que despertem interesse pelas questões de natureza política, mesmo aquelas que lhes pareçam menos importantes.
Os jovens vão ser os nossos políticos do futuro. É preciso que tenham a noção de que existem momentos na vida em que grandes decisões têm que ser tomadas. E que em outros momentos as pequenas escolhas poderão ter grandes significados ou consequências no futuro.
É preciso que saibam que serão eles que vão, um dia, apresentar projetos à população, ou escolher de maneira fundamentada, as diferentes opções que lhes serão apresentadas pelos agentes políticos, locais ou nacionais, sendo assim necessário que exista um renovado espirito de confiança na classe politica.
Temos assim, que aproveitar esta data para relembrar que a política, honesta e direcionada para a população, é uma necessidade diária de todos os cidadãos.
Serão as próximas gerações que irão definir se a democracia em que vivemos está boa assim, ou se podemos fazer um melhoramento da mesma…
…a bem de Portugal, a bem de Cabeceiras de Basto!
Termino com a ousadia de citar Francisco Sá Carneiro:
“A pessoa humana define-se pela liberdade.
Ser homem é ser livre.
Coartar a liberdade é despersonalizar; suprimi-la desumaniza.
A liberdade de pensar é a liberdade de ser, pois implica a liberdade de exprimir o pensamento e a de realizar na ação.”
Viva a Liberdade!!!



