segunda-feira, 25 de julho de 2016

O futuro do ensino secundário em Cabeceiras de Basto



Conforme nota pública, foi no passado dia 3 de junho que a Deputada Laura Monteiro Magalhães, juntamente com o PSD e a JSD de Cabeceiras de Basto iniciaram um novo roteiro de contacto de proximidade com o eleitorado, sendo a Educação a área de observação selecionada, afim de dar continuidade ao compromisso assumido com os cabeceirenses.

Ao longo dos últimos meses, com o intuito de fazer um balanço do ano letivo transato e de preparar o próximo, antecipando assim necessidades, dúvidas e preocupações dos cabeceirenses foram ouvidas várias entidades: a Direção do Agrupamento de Escolas de Cabeceiras de Basto, o Senhor Presidente da Câmara Municipal e a Senhora Vereadora da Educação, o Externato S. Miguel de Refojos e a Associação de Pais do Agrupamento de Escolas.

Foram assim analisados e discutidos todos os níveis de ensino, desde o pré-escolar até ao secundário, passando pelo ensino profissional.

Ficou patente que o decréscimo do número de alunos em Cabeceiras de Basto, devido à baixa taxa de natalidade, é uma realidade preocupante que trará consequências a curto prazo também nesta área.

Averiguamos que o ensino profissional é uma vertente que tem potencial de crescimento, uma vez que ainda há muitos alunos que se deslocam para fora do concelho com o intuito de beneficiarem de outras áreas de oferta.

Verificamos que o contrato de autonomia celebrado com o Ministério da Educação e Ciência, com o anterior Governo do PSD/CDS-PP, está a decorrer dentro da normalidade, originando resultados profícuos para a comunidade educativa cabeceirense.

Observamos que existe um apoio sociopedagógico interessante no nosso concelho que permite uma melhor qualidade de vida à nossa comunidade educativa.

Há, contudo, uma preocupação que foi mencionada por todas as entidades ouvidas e sobre a qual o PSD e a JSD não podem ficar indiferentes: o ensino secundário em Cabeceiras de Basto deixar de ser ministrado apenas pelo Externato S. Miguel de Refojos, passando a ser também fornecido pelo Agrupamento de Escolas de Cabeceiras de Basto.

Pois, até ao presente, em Cabeceiras de Basto, não havia oferta pública de ensino secundário e estava generalizado o desígnio de que a continuação deste ciclo de ensino estava confinado ao Externato, que até mereceu recentemente obras de beneficiação. Mas pelos vistos estávamos todos enganados.

Tal situação advém da publicação do Despacho Normativo n.º1-H/2016 do atual Ministério da Educação que regula o regime de matrícula e frequência para o próximo ano letivo. A alteração realizada põe em causa o princípio da confiança que deve reger a ação do Estado como entidade de bem. O mesmo Despacho introduz uma alteração que viola o contrato de associação estabelecido anteriormente, ao limitar a frequência dos alunos à “área geográfica de implantação da oferta abrangida pelo respetivo contrato”, consubstanciando assim uma violação dos resultados e dos pressupostos do concurso para atribuição do contrato de associação ao Externato S. Miguel de Refojos nos anos letivos 2015/2016, 2016/2017 e 2017/2018 que compreende a abertura de um determinado número de turmas no 10.º ano, independentemente da proveniência geográfica dos alunos, ficando a escola apenas obrigada a respeitar as prioridades legalmente estabelecidas no preenchimento de vagas existentes.

O referido Despacho Normativo ignora diversos aspetos, nomeadamente: a localização da oferta e a área de origem da procura são realidades distintas; ao impor uma limitação da origem dos alunos durante a execução do contrato, viola o próprio contrato; e viola o Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo que estabelece o princípio de iguais regras de acesso às escolas públicas e às escolas com contrato de associação.

O PSD e a JSD constatam que, à semelhança de outros concelhos, também em Cabeceiras de Basto, foi perceptível que o Governo liderado pelo Partido Socialista, sem ouvir as diferentes partes interessadas, decretou o princípio do fim do contrato de associação estabelecido com o nosso Externato, interrompendo assim décadas de ensino, semeando instabilidade e incerteza nas famílias cabeceirenses e encaminhando para o desemprego dezenas de profissionais, entre pessoal docente e não docente.

O PSD e a JSD manifestam assim a sua extrema preocupação com as consequências gravosas que esta situação poderá trazer a curto prazo no subdesenvolvimento de Cabeceiras de Basto e para os seus conterrâneos.

Por essa razão, o PSD manifestou por escrito disponibilidade ao executivo camarário para colaborar neste processo, a fim de expor a situação peculiar de Cabeceiras de Basto ao Ministério da Educação.

No mesmo sentido, a Deputada Laura Monteiro Magalhães reuniu com a representante do abaixo-assinado que decorre da posição dos Pais/Encarregados de Educação dos alunos que frequentam o ensino em Cabeceiras de Basto, e a população em geral, no sentido do não encerramento de turmas no Externato de S. Miguel de Refojos que, até ao presente momento, já reuniu 3032 assinaturas.

O PSD e a JSD estão ao lado daquilo que é o melhor para o concelho de Cabeceiras de Basto e para os seus conterrâneos. Conhecemos o excelente trabalho do Agrupamento de Escolas de Cabeceiras de Basto e das suas potencialidades. Contudo, não ignoramos o contributo do Externato S. Miguel de Refojos para o desenvolvimento local. Mas temos uma certeza: não houve um caminho de diálogo com os agentes locais.

O Partido Socialista, apesar de o Senhor Primeiro Ministro ter declarado que iria analisar cada caso em particular, ignorou Cabeceiras de Basto. Por outro lado, o Senhor Ministro da Educação baseou-se num estudo que não se percebe muito bem qual a análise de dados efetuada, apenas depreende-se que houve uma medição (através do Google Maps) da distância geográfica entre a sede do Agrupamento de Escolas de Cabeceiras de Basto e o Externato S. Miguel de Refojos, conforme pode ser confirmado através do seguinte documento:

Constata-se inclusive que o próprio Ministério da Educação desconsiderou que Cabeceiras de Basto não possui ensino secundário público, apesar da designação da sede do Agrupamento de Escolas de Cabeceiras de Basto. Ignora até que, apesar do excelente serviço prestado pelo Agrupamento de Escolas até ao 9ºano de escolaridade, de momento, o mesmo, não tem reunidas as melhores condições para assumir de imediato o ensino secundário, conforme foi confirmado por algumas entidades locais que o PSD e a JSD ouviram, nomeadamente na falta de docentes das áreas conexas ao ensino secundário, na falta de pessoal não docente, no apoio logístico e na falta de material científico-pedagógico.

Não esquecemos também que o PSD propôs, na Assembleia da República, em maio passado, a realização de um estudo que aferisse a estrutura de custos do ensino público e do ensino particular e cooperativo com contrato de associação (como é o caso do Externato S. Miguel de Refojos) e que o mesmo foi chumbado pelo PS e pelos restantes partidos que sustentam o atual Governo.


O PSD e a JSD de Cabeceiras de Basto não aceitam esta governação unilateral que não se preocupa com a população cabeceirense e principalmente com os seus alunos. Continuaremos a estar atentos e a diligenciar no sentido de encontrar a melhor resposta para os nossos concidadãos. 

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