sábado, 28 de julho de 2018

Artigo de Opinião - Manuel António Teixeira




Está a decorrer, no presente mês, o Mundial de Futebol. No momento de composição deste texto, os resultados finais para Portugal são ainda desconhecidos, mas, pelo menos, a vontade de ganhar tem sido enorme, com um grande protagonista: CR7.

Já decorreram as eleições na Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal e, finalizando diversos meses de polémica, a atual (ex) Direção foi destituída. Não colocando em causa o mérito de uma ou de outra parte, verificou-se mais uma vez que o populismo conduziu a resultados muito adversos, mas, no final, a democracia representativa venceu. Anteriormente, com outro clube da Capital e com outro protagonista de estilos similares, tinha ocorrido algo parecido. Ou seja, os populismos dão muito poder personificado, mas os resultados para o coletivo são, normalmente, desastrosos.

Então, o que há de similaridade entre o futebol, ou o desporto em geral, e a política? Muitos aspetos, mas o primordial é sempre o mesmo: as pessoas acreditam nos indivíduos que transmitem ideias de prosperidade e poder para os seus Clubes, mas, no final, quem sofre não são os populistas, mas sim os clubes e os seus associados. A vantagem no futebol é que só se é adepto por opção e a influência na vida das pessoas reflete-se apenas no humor e, em alguns casos, na saúde de quem vive o fenómeno desportivo de forma extrema. Na política não é assim: toda a sociedade é envolvida e arca com as consequências dos atos inadequados da política e dos políticos. Mas, também na política, há fenómenos de populismo bem conhecidos a nível Nacional e Internacional. Acontece que, na política, decisões erróneas e simplesmente populistas têm levado a ditaduras ou a consequências económicas desastrosas para os povos desses Países, ou até, indiretamente, para a população Mundial pelo efeito da globalização. Como exemplos internacionais, posso citar a Venezuela, de Nicolás Maduro, ou os EUA, de Donald Trump, mas poderia citar outros Países, mesmo Europeus, como a Itália ou a Grécia, entre outros. Ao fim de algum tempo, essas individualidades conquistam tamanho poder, que muito dificilmente se despegam dele, provocando crises económicas, sociais e mesmo migratórias, com consequências por vezes não só para os povos envolvidos, mas também para as regiões vizinhas e, mesmo, a nível global. Em Portugal esse fenómeno, se bem que ainda com pouca repercussão, já se vai fazendo notar, pelo menos a nível Municipal, com candidatos condenados ou com processos Judiciais, por vezes de desvio de verbas dos seus Munícipes, a vencerem eleições nesses mesmos Municípios.

Hoje em dia a informação é difundida em poucos instantes, via internet ou meios de comunicação tradicionais, quer os factos ocorram a nível local, nacional ou mundial. A maioria dos Países do Mundo vive em democracias bem amadurecidas. Porque ocorrem, então, estes fenómenos de populismo? Em Países pouco desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento é possível explicá-los pela fraca aposta pública na educação e pelas dificuldades económicas e sociais dessas populações, podendo, nesse contexo, brotar indivíduos com recursos ou facilidade de disseminação da sua propaganda nas populações com menos instrução ou mais necessitadas. Como explicar esses fenómenos em Países desenvolvidos, como sejam os EUA, ou os da Europa? Porque é que os partidos políticos estão a perder a confiança das populações? Quanto a mim, há duas explicações:

  • as pessoas vivem as paixões políticas como se se tratassem de questões desportivas, defendendo os seus partidos políticos até à exaustão, mesmo que com isso eles e a sociedade estejam a ser penalizados, provocando clivagens extremas que levam ao afastamento dos moderados;


  • as pessoas alheiam-se da política, por opção própria ou pela descrença das atitudes dos políticos, que por vezes defendem apenas os seus interesses e não os da comunidade.


Há diversos sistemas políticos para além da democracia representativa, mas nenhum, talvez, com tanta possibilidade de participação e decisão dos povos como este. Dentro da democracia representativa, a melhor forma de organização conhecida é através dos partidos políticos, que devem definir as suas políticas, seja através do liberalismo, conservadorismo, socialismo, comunismo, entre outras, torná-las públicas e sujeitarem-se à decisão maioritária popular. A democracia também consta de alternância, pois como em tudo na vida a continuidade prolongada, por vezes, conduz a vícios ou a posições oligárquicas.

Porque se afastam, então, as pessoas da política e consideram todos os políticos pessoas diferentes delas, normalmente para pior, quando, na realidade, são pessoas eleitas democraticamente, escolhidas no seio de amigos, familiares ou conhecidos das restantes pessoas desse eleitorado? Posso sinalizar algumas razões:

  • distanciamento dos políticos dos seus eleitores, esquecendo que são eleitos com um compromisso eleitoral e que devem prestar contas, não só aos seus eleitores, mas à comunidade em geral;


  • aproveitamento político, através do poder que lhes é empossado, procurando tirar proveito pessoal ou setorial, em vez de tomarem decisões que beneficiem a comunidade em geral;


  • não ter sempre presente que o serviço público através da política não deve ser considerado como um emprego, mas antes como um dever cívico;


  • a corrupção, que embora no nosso País seja pequena se comparada com outros e em outras partes do Mundo, continua visível, através de notícias periódicas que vão surgindo no nosso quotidiano.


Será então tempo de baixar os braços e continuar a entregar a política a populistas, fascistas e oligarquias? Penso que não. Será que as pessoas também não têm responsabilidade na situação presente, por se alhearem cada vez mais das decisões, bem visível no aumento crescente das abstenções em eleições livres, seja em Portugal, na Europa ou no resto do Mundo? Aproveitemos os exemplos recentes do futebol nacional e que as pessoas de bem se unam e tenham sempre presente que os interesses da sociedade estão acima de qualquer interesse pessoal ou setorial; que as democracias são representativas, e não apenas de alguns; que os partidos políticos não têm proprietário e que qualquer um pode e deve participar, dentro das suas ideologias, respeitando naturalmente as regras pré-definidas; que a corrupção não pode existir dentro da política (nem fora dela!); que a alternância democrática deve ser normal; que quem se aproveita economicamente dos eleitores não pode ser premiado de seguida, mas sim severamente castigado, judicial e/ou eleitoralmente; que a união das pessoas faz a força e que consegue derrubar populistas, oligarquias ou fascistas, como já aconteceu no nosso País num passado recente.

Eu acredito na democracia e nas pessoas!

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