quarta-feira, 27 de junho de 2018

Artigo de Opinião - Andreia Vieira



"A Democracia é, segundo Winston Churchill, o melhor de todos os (piores) regimes políticos conhecidos. Dizia também W.Churchill que até se inventar outro melhor nos restava viver sobre esse regime e procurar aperfeiçoar os seus erros e insuficiências.

Infelizmente cresce uma onda de descrença por todo o Mundo nos regimes democráticos, com uma crescente aposta em nacionalismos, populismos e exercícios “musculados” da Democracia como forma de reacção aos desafios não respondidos pelo regime democrático.
Etimologicamente Democracia é o poder do Povo e para o Povo. Baseia-se no princípio de eleições regulares, livres, representação popular em Parlamentos, voto universal  e separação do poder executivo, legislativo e judicial.

O respeito pelas minorias, limites éticos do poder dos eleitos e a transparência do exercício do poder parecem ser o motivo de discórdia e a razão para soluções menos democráticas.

Infelizmente o debate das ideias nas campanhas eleitorais é pouco esclarecedor, pouco participado e a escolha dos eleitores é feita pela representação de interesses, pelas pessoas que lideram as candidaturas, pela simpatia partidária.

Eleições subsequentes não fazem (ou só o fazem parcialmente) o julgamento dos compromissos assumidos e cumpridos no período eleitoral, as escolhas são feitas  novamente pela representação de interesses e carisma dos líderes.

Uma das “insuficiências” atribuídas à Democracia é de ser um Poder fraco, limitado e pouco eficaz. Essa é a razão para as derivas autoritárias, autocráticas e populistas.

O Poder é sempre algo que nos reconhecem e nunca algo que que tenhamos que invocar quando é posto em causa. A força será sempre a da Razão e nunca a razão da Força. Faz se com pessoas preparadas e educadas, que acreditam na capacitação do Povo e na razão que lhe assiste.

Quem vence eleições tem de estar ciente dos limites do Poder, do período mais ou menos breve do mandato, do respeito que têm de merecer os eleitos  e das virtudes da alternância do poder. Pois é essa alternância que permite assegurar a transparência do exercício do poder." - in Jornal 'O Basto'

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